23 de mai. de 2012

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Uma cruz de ponta cabeça
Uma janela quebrada
Uma menina sentada de perna aberta acendendo o primeiro cigarro
Cachorro mijando no poste
Velhas de braços dados indo rezar pra que o pau de seus velhos funcionem
O barulho das crianças e seus bat bags
O entardecer e as visões que levarei comigo
Que não me servirão de nada
...
A noite escura e a solidão que me levam além
Só além da próxima esquina com o último trocado
Um casal vai de trenzinho
Uma bicicleta vai sem freios
Sinal fechado para o fusca marrom
Aberto em 3, 2, 1
Bater a porta
Ir embora
Pegar o primeiro ônibus de volta pra casa
Dentro do ônibus aquele cheiro de bolacha estragada
Um estranho ao lado roçando em seu braço
Sinto vontade de gritar, mas tudo o que faço é escrever
“Este reflexo não sou eu”
No vidro embaçado

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