Sério seria dizer que sinto cada vez menos
O seu rosto familiar com o qual não quero constituir família
Não que você tenha um dia me proposto, claro
Mas tirei você dos meus planos de agora até o eterno
O seu corte de cabelo me irrita, a barba que você deixou crescer também
Mas ta tudo bem, eu engordei e me desfiz dos pentelhos
Coisa que te agradava era brincar com eles enquanto lia um livro de Dostoievski
(Buscava sempre encontrar algo mais complicado que nossa relação, felizmente, encontrava... e nestas horas eu tinha um pouco de paz)
Paz que nada
Paz é ter você por perto
‘Te como, te cuspo, te deixo’
Ou melhor, te sugo
E não é nem pelas gônadas
Confundo desespero com afeto
Amor com resto
Com as cartas que mandei
Você foi lá e fez lavagem, deu pros porcos
Agora eu
Fecho a porta
Tranco com chave
Tampo as narinas
Pra não te deixar entrar nem mesmo por fumaça
Não digo que te amo
Nem mesmo por amizade
Nem de brincadeira
Porque afinal...
Acenei, dei um olá
Não correspondeu nem mesmo com uma erguida de sobrancelhas...
Então, acho mesmo que dei foi um adeus.