22 de set. de 2012

Sério seria dizer que sinto cada vez menos
O seu rosto familiar com o qual não quero constituir família
Não que você tenha um dia me proposto, claro
Mas tirei você dos meus planos de agora até o eterno
O seu corte de cabelo me irrita, a barba que você deixou crescer também
Mas ta tudo bem, eu engordei e me desfiz dos pentelhos
Coisa que te agradava era brincar com eles enquanto lia um livro de Dostoievski
(Buscava sempre encontrar algo mais complicado que nossa relação, felizmente, encontrava... e nestas horas eu tinha um pouco de paz)
 Paz que nada
Paz é ter você por perto
‘Te como, te cuspo, te deixo’
Ou melhor, te sugo
E não é nem pelas gônadas
 Confundo desespero com afeto
Amor com resto
Com as cartas que mandei
 Você foi lá e fez lavagem, deu pros porcos

Agora eu
Fecho a porta
Tranco com chave
Tampo as narinas
Pra não te deixar entrar nem mesmo por  fumaça

Não digo que te amo
Nem mesmo por amizade
Nem de brincadeira

Porque afinal...
Acenei, dei um olá
Não correspondeu nem mesmo com uma erguida de sobrancelhas...
Então, acho mesmo que dei foi um adeus.

11 de set. de 2012

Falo demais
Falo de menos
Falo sobre tudo
Menos sobre o que realmente penso
Agora que não falo mais sobre as coisas nos ligam de certa forma, do caminho que cruzei até chegar a você, sobre nossas afinidades ou sobre como gosto de você
Você passa a maior parte do tempo a olhar pro chão ou pro teto
Agora os meus assuntos são cotidianos, a próxima festa, o livro lido, o vestido novo, o humor da família, os grilos na cabeça, os gatos no telhado e outras pequenas coisas que se eu não mencionasse você dificilmente notaria.
Por exemplo, tem uma foto minha nua na sua caixa de entrada. Aposto que vc nem abriu pra ver ainda, mas isto não é novidade, nem minha nudez mais te alegra... Creio que até entristece, é ao se deparar com ela que vc se vê na “obrigação” de cumprir seu papel de macho alpha em minha vida.
 E eu empolgadamente consciente de seu sacrifício começo a ajudá-lo por infindáveis minutos a por a benga de pé.
Aí você vem e me pergunta por que eu falo tanto de sexo, ou melhor, reclamo de sexo.
Eu digo que é por que reclamo de minhas frustrações. (Quando o sexo é bom a gente nem perde tempo falando sobre ele nos blogs, vai direto pra casa do indivíduo por poesia em prática.)
Daí tu me perguntas ainda o por quê  de seres o macho alpha, eu digo que não só alpha, mas que de alpha a ômega, de macaco a Raul Seixas, até o fim dos tempos, até quando o dragão continuar engolindo o  próprio rabo.  Digo que é porque gostaria de alguém pra dar longos passeios, com quem eu não me cansasse de conversar e quisesse sempre ter por perto, que só a presença desta pessoa já me faria contente. Digo que sou romântica, e quero viver longe das telenovelas, que quero levar uma vida diferente e que escolhi você.
Mas você ainda está atento a terceira e quarta frase deste texto, e se esquece que disse “falo”. E escrevo sobre o que digo de caso pensado.

10 de set. de 2012

Tudo parece descartável, copo, conversas e você  
Talvez eu vá despejar todo o afeto que era seu pra outro qualquer
Mas colocar o verbo no futuro é só pra disfarçar, tentar dizer que fui fiel ao compromisso
Na verdade, já estive experimentando colocar as mesmas palavras na boca pra deixar cair em ouvidos tão ocos quanto os seus...
Na indiferença, uma opção
Passar um tempo menos deslumbrada com sinais de gentileza, sapiência, devoção 
Vou duvidar dos sorrisos largos, dos filósofos de boteco e vou me lembrar de andar na contramão, talvez eu encontre quem entre tropeços e atrasos devido ao relógio parado, vá me dizer algo sobre como amar com a cabeça e o coração...