4 de dez. de 2012

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Sonhei
Com um ritual de dança
Ninguém percebeu o gosto do suco de cevada em meio ao mar de frutas
Até embriagados começarem a soluçar e a pedir passagem pro banheiro
Por falar em mar
Outro se fez
Não tão distante de nosso horizonte
Areia se encontrava com areia até 180º graus
Pra depois um pouco de céu vir a se confundir com a água
Vi uma tartaruga cruzar todo chão, pseudo-céu de areia até cair na água
De seus (meus?) olhos
Um bailarino interpretando uma gueixa
Pra surgir com um acompanhante dizendo “o que é Brasil?”
Um dizia candomblé, outro samba
Outro mata virgem
E a multidão indagava, virgem?
Só na pureza das crianças
Até começar o vai e vem de tambores
Todos na rua com colar de flores
Perguntei às conclusões de vida
À uma hippie aposentada
Ela me respondeu com aquele clichê
“Porque nem tudo que eu quero eu posso,
Nem tudo que eu posso eu devo e
Nem tudo que eu devo eu quero ”
Eu ainda insisti, perguntei o que eu conseguiria tirar daquilo
Ela então deu uma longa piscada e disse
Você pode fazer tudo o que quiser
Até onde o limite da sua preguiça te impeça
Você pode ter um carro, casa, filhos
Eu escolhi ter somente a casa, mas em todo caso
Sei que o que custa mais caro, é a manutenção
Das peças no caso do automóvel
Da limpeza da casa pra receber bem as visitas
E da dedicação diária de afeto se você quiser constituir família
Acenei com a cabeça, e agradeci
Ela já tinha mastigado até demais pra mim
Decidi voltar a rua em que passei a minha infância
A casa que morei estava abandonada
E eu me senti como aquela casa
Onde nem a beleza exterior ou a solidez das paredes
Consegue atrair novos moradores...
Sequei as lágrimas, como se elas tivessem caído
Eu fui voar onde não havia fios de tensão
Onde meu ego/caos distraído
Não se preocupasse tanto em saber o que está além do que está escrito