29 de ago. de 2012

Te olhar é o mesmo que olhar pra parede
Sem expressão nenhuma
Seu sexo sempre me desapontava
Eu poderia prever suas mentiras
Antes mesmo de você chegar em casa
Eu poderia até dizer que não sinto mais nada
Mas só o cheiro do amaciante de roupa já  me faz lembrar você
O vento forte
Abre a janela
E eu já não estou mais segura
Qualquer brisa pode trazer novidades suas

16 de ago. de 2012

Do querer e não querer ser eu mesma
Sonhei com um pôr do sol que continha dois sóis
Um atrás do outro
Desciam pra dentro do mar
Pessoas saudavam os últimos raios
Enquanto eu tirava uma foto ocular   
E grudava na parede da memória com um pouco de cola
Acompanhei criaturas dentro de uma câmera de vidro, as assistia calada
Elas não me viam
E estudando seus trejeitos, seus complexos e defeitos
Senti-me tão menor
Como se fosse me perder naquele compartimento
O chão, o teto, o ar que parecia me faltar pra conseguir gritar
TEM MAIS ALGUÉM AI
SE VENDO TÃO COMUM
RECONHECÍVEL EM OUTROS CORPOS?
Alguém me deu uma saída e eu saltei pra fora
Mas não gritei
Voltei a ser o que sou agora
Alguém que pouco fala
Que se inquieta com o passar dos dias na sua ausência
Um complexo de impulsividades e danos...

9 de ago. de 2012

Nosso beijo não durou mais
Que um cigarro
Mas foi simples assim
Pra me levar de mim
Colocar-nos em outro lugar
Onde fossemos só lua, estrelas, chão
E nada mais
Quero-te com a simplicidade de uma criança
Que segura a mão da outra
Pra brincar de ciranda
E com a maturidade de um casal
Que completa suas bodas de ouro
Observar você cantando é maior entretenimento
Que admirar a dança do cosmo
Difícil é pensar que o dia acaba
E que logo menos
Este abraço não dorme comigo em casa
Despeço-me levando comigo este riso escondido nas pálpebras
Essa sua vontade incandescente de viver
...
Mais nada a dizer
Gostar de você é fácil

2 de ago. de 2012

Andei por ai sem saber o que dizer
E quando dizendo
As mesmas palavras rotas nas horas erradas
Dando a todos os homens o mesmo amor de lençol já usado
E não pense que não sabiam
Uns até já vinham com adesivo colado na testa
 “step”
Mesmo sem nenhum pneu ainda ter sido furado

Mas pras pessoas certas os gestos bruscos, indigeríveis
Bastava
Reconheciam em mim um outro eu
Que outrora talvez eu tivesse abominado
Um eu que ouve agressões e não se rebela
Que é castrado e ainda abana o rabo

Compro tintas guache de todas as cores, misturo-as todas em um único papel
O resultado é este sentimento meu
Vibrante, sem nome, que quer escapar pelas bordas
Mas me retenho pra caber no meu espaço
E esta é minha castração
E vibrar demais é minha condição, sujeita a insultos, recriminação

Talvez eu volte a provar de brisas mais suaves
Talvez o vento toque minhas lembranças, meus planos pra outra direção
(Pois sim, as lembranças são mutáveis, seu sentimento em relação a elas)
Mas isso não tem importância hoje...