Do querer e não querer ser eu mesma
Sonhei com um pôr do sol que continha dois sóis
Um atrás do outro
Desciam pra dentro do mar
Pessoas saudavam os últimos raios
Enquanto eu tirava uma foto ocular
E grudava na parede da memória com um pouco de cola
Acompanhei criaturas dentro de uma câmera de vidro, as assistia calada
Elas não me viam
E estudando seus trejeitos, seus complexos e defeitos
Senti-me tão menor
Como se fosse me perder naquele compartimento
O chão, o teto, o ar que parecia me faltar pra conseguir gritar
TEM MAIS ALGUÉM AI
SE VENDO TÃO COMUM
RECONHECÍVEL EM OUTROS CORPOS?
Alguém me deu uma saída e eu saltei pra fora
Mas não gritei
Voltei a ser o que sou agora
Alguém que pouco fala
Que se inquieta com o passar dos dias na sua ausência
Um complexo de impulsividades e danos...
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