2 de ago. de 2012

Andei por ai sem saber o que dizer
E quando dizendo
As mesmas palavras rotas nas horas erradas
Dando a todos os homens o mesmo amor de lençol já usado
E não pense que não sabiam
Uns até já vinham com adesivo colado na testa
 “step”
Mesmo sem nenhum pneu ainda ter sido furado

Mas pras pessoas certas os gestos bruscos, indigeríveis
Bastava
Reconheciam em mim um outro eu
Que outrora talvez eu tivesse abominado
Um eu que ouve agressões e não se rebela
Que é castrado e ainda abana o rabo

Compro tintas guache de todas as cores, misturo-as todas em um único papel
O resultado é este sentimento meu
Vibrante, sem nome, que quer escapar pelas bordas
Mas me retenho pra caber no meu espaço
E esta é minha castração
E vibrar demais é minha condição, sujeita a insultos, recriminação

Talvez eu volte a provar de brisas mais suaves
Talvez o vento toque minhas lembranças, meus planos pra outra direção
(Pois sim, as lembranças são mutáveis, seu sentimento em relação a elas)
Mas isso não tem importância hoje...

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