11 de set. de 2012

Falo demais
Falo de menos
Falo sobre tudo
Menos sobre o que realmente penso
Agora que não falo mais sobre as coisas nos ligam de certa forma, do caminho que cruzei até chegar a você, sobre nossas afinidades ou sobre como gosto de você
Você passa a maior parte do tempo a olhar pro chão ou pro teto
Agora os meus assuntos são cotidianos, a próxima festa, o livro lido, o vestido novo, o humor da família, os grilos na cabeça, os gatos no telhado e outras pequenas coisas que se eu não mencionasse você dificilmente notaria.
Por exemplo, tem uma foto minha nua na sua caixa de entrada. Aposto que vc nem abriu pra ver ainda, mas isto não é novidade, nem minha nudez mais te alegra... Creio que até entristece, é ao se deparar com ela que vc se vê na “obrigação” de cumprir seu papel de macho alpha em minha vida.
 E eu empolgadamente consciente de seu sacrifício começo a ajudá-lo por infindáveis minutos a por a benga de pé.
Aí você vem e me pergunta por que eu falo tanto de sexo, ou melhor, reclamo de sexo.
Eu digo que é por que reclamo de minhas frustrações. (Quando o sexo é bom a gente nem perde tempo falando sobre ele nos blogs, vai direto pra casa do indivíduo por poesia em prática.)
Daí tu me perguntas ainda o por quê  de seres o macho alpha, eu digo que não só alpha, mas que de alpha a ômega, de macaco a Raul Seixas, até o fim dos tempos, até quando o dragão continuar engolindo o  próprio rabo.  Digo que é porque gostaria de alguém pra dar longos passeios, com quem eu não me cansasse de conversar e quisesse sempre ter por perto, que só a presença desta pessoa já me faria contente. Digo que sou romântica, e quero viver longe das telenovelas, que quero levar uma vida diferente e que escolhi você.
Mas você ainda está atento a terceira e quarta frase deste texto, e se esquece que disse “falo”. E escrevo sobre o que digo de caso pensado.

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