22 de jun. de 2012

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Uma coruja sobrevoa minha cabeça
Mau agouro
Só podia
Ao flertar com um  estranho
Estando meus olhos mendigos
Nus, desprovidos de lentes
Estupidificados com tanto vigor
Daria-me um pouco de conforto em meio aquela chuva fria?
As palmas das mãos viradas pra cima, um deleitar com a chuva, uma prece, ou um convite pra que eu unisse minhas mãos à sua?
Outro dia, outra vida
Deixava-me a sorrir de lado, com o som abafado de vozes se estuprando nos bares entre canções do último inverno em que passei livre ou dos sussurros sobre nossos penteados enquanto compravamos preservativo na fila do supermercado
O particular era fácil, eu feito iô-iô em sua mão... Tanto faz se o vinho era barato...Se o meu cigarro fedorento te enchia o saco.
O difícil era as visitas convencionais a sociedade, bancos, itinerário acompanhado de semi-conhecidos ao trabalho, afinal, quase todos eram semi-conhecidos... Íntimos mesmo só os carteiros, trazendo a correspondência de contas e amores expirados.  

A banda tocava assim...
Um dia pela manhã
Sai na calçada e
Lia-se
Mar de rosas
Cantar olhando como se aquela fosse a primeira chuva 
Esperando o sol trazer
Cogumelos no jardim

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