17 de mai. de 2012

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ignorando o temporal lá fora
só deixando o pulsar de dentro
talvez te seguir não fosse a melhor idéia
mas agora tanto faz
já estava no meio do caminho
sua casa agora é outra
seus passos  mais confiantes
e eu não ouvi vc responder ao cruzar com os olás da rua
sonhei que comprávamos doces
e falar de morte era fácil de novo
(quando cadáveres correspondiam no máximo a uma piada feita com um mendigo caído na rua,
não a você, um morto vivo pedindo carona pra chegar logo ao próprio funeral)
legal, talvez a última valsa
"all my loving" tocando na estação
(será que dis.penso o começo?)

bem, cheguei nervosa e pedi um trago do seu cigarro

- outro?

é o primeiro de hoje.

- está bem. descalce os sapatos, vai molhar o chão.

como foi seu dia?

-sempre as mesmas perguntas, e eu sempre com as mesmas respostas... normal 

eu fico esperando pelo dia que vc irá dizer algo novo como "pensei em você na hora do almoço" ou "caiu um raio em minha cabeça nesta tarde".

- ambas hipóteses com a mesma chance de acontecer.

poisé, já me acostumei com este seu estranho afeto...

- rs. não reclame por tão pouco.

tin don da campainha.



deve ser mais um cobrador

- engraçadinha.
- não, aqui não mora nenhum Lucas... no fim da rua tem um, talvez seja ele... de nada.

como ela era?

-bonita, seios fartos... mas poderia ser minha avó. por que?  

poderia ter chamado ela pra tomar um café com a gente, talvez ela nos contasse algo sobre orgias medievais na corte.

- é, talvez... mas acabou meu pó.

acabou é? sei.

- tem coca ai na geladeira.

suspeitei desde o princípio... cara, cê devia dar um tempo com isso.

- com isso o que? são meus hábitos, ora. nunca me excedo... tal você suas esquisitices, mania de dostoievski, chico buarque, kerouac, cerveja barata, maria joana, tex willer, falar de fantasia, e coisas da alma, da lama...  eu vou com meus vícios.

está bem, que seja... vai começar o jornal.

- e daí? a gente nunca assiste o jornal.

eu sei, mas é geralmente nessa hora que você abre o vinho e a gente passa a se comportar como dois animais na selva suja.

- ok, vamos lá.

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