4 de abr. de 2013



Sei lá
Será que vou passar o resto de meus dias assim?
Levantando de leitos onde não sei mesmo o nome do anfitrião, que ronca ao meu lado?
O importante é ter dinheiro pra passagem de volta
O importante é não tropeçar nos próprios pés
Achar que vou colher flores no caminho
(No máximo vou escarrar estes catarros que se pregaram na minha garganta
Na minha voz, rouca de cannabis)
Importante é não fantasiar
Fazer de momentos sórdidos lembranças doces
Confundir olhares fúnebres que me consomem como necrófilos
Com ternura, como quem vê algo além das expectativas
Não, eu não sou o tipo de pessoa que se vangloria por cada pau embocado
Pra mim vale mais um abraço de um homem honesto
Que o sêmen de um bêbado
(um vagabundo, como eu...)

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