23h é hora de trancar o portão da frente
Pelo menos na casa do meu vô
Meia noite o barulho do relógio de pulso faz tremer a casa
Pelo menos o meu quarto
Noite adentro o silêncio me sufocando
Eu brigando com meus egos
Pra ver qual deles vai controlar a situação
Até quando eu vou segurar esta turbulência do peito?
São tantas as contradições, maiores que minhas certezas
Certeza mesmo é que eu acordo no domingo e dou graças a Deus
Não por comoção ao esplendor do dia ou por fé
É por ainda não ser segunda feira
E eu não precisar sair de casa
Encarando a vida ou os rostos sem expressão que eu encontro pelas ruas
Aí você me diz que a falta de expressão está em mim
Que as pessoas continuam a sorrir, a chorar, a se enfurecer, a se entender
O que pra mim tanto faz
Se o reflexo que carrego é só uma nuvem cinzenta
Deixe que ela desça em chuva, ou melhor,
Que mude o tempo
Que haja neblina densa
Pra eu me perder no nada
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